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NIS2: por onde começar (antes de comprar seja o que for)

Escrevi há umas semanas que a NIS2 não é um tema de tecnologia — é um tema de gestão.

A pergunta que se segue é óbvia:

“então por onde começamos?”

A boa notícia: os primeiros passos não custam dinheiro.

A má notícia: custam decisões.


Passo 1 — Saber o que existe

Não se protege o que não se conhece.

Antes de qualquer investimento:

  • que sistemas temos e quais são críticos?
  • onde estão os dados importantes?
  • quem tem acesso a quê?
  • de que fornecedores dependemos?

Isto é um inventário, não um projeto de segurança.

E na maioria das empresas, não existe.


Passo 2 — Atribuir responsabilidade

A NIS2 é clara num ponto: a responsabilidade é da gestão.

Isso exige uma decisão interna:

👉 quem é o dono deste tema na empresa?

Não “o IT trata disso”.

Uma pessoa, com nome, com mandato da direção, que reporta à direção.

Sem dono, o tema não avança — avança-se em círculos.


Passo 3 — Tratar os básicos

Antes de qualquer ferramenta sofisticada, os básicos que travam a maioria dos incidentes:

  • acessos revistos e reduzidos ao necessário
  • autenticação forte nos sistemas críticos
  • backups testados (restauro, não só cópia)
  • atualizações em dia
  • um procedimento escrito: “se acontecer X, quem faz o quê?”

Nada disto é novidade.

E é exatamente por isso que é revelador quantas empresas não o têm feito.


Passo 4 — Só depois, investir

Com o inventário feito, o dono definido e os básicos tratados, as decisões de investimento tornam-se racionais:

sabe-se o que proteger, contra o quê, e com que prioridade.

Sem esse trabalho, comprar ferramentas é responder a uma pergunta que ainda não foi feita.


Conclusão

A conformidade com a NIS2 não começa num orçamento.

Começa numa reunião de direção com três pontos:

  1. o que temos?
  2. quem é o responsável?
  3. os básicos estão feitos?

O resto é consequência.