Artigo

O teu verdadeiro ERP é o Excel

Muitas empresas têm um ERP caro, implementado, em produção.

E depois têm o sistema onde a operação realmente corre:

o Excel.


Como identificar

Os sinais são fáceis de reconhecer:

  • a folha “que a contabilidade usa para conferir”
  • o ficheiro “onde controlamos as encomendas a sério”
  • a folha de preços “que está mais atualizada que o sistema”
  • o mapa “que o chefe pede todas as semanas”

Cada folha destas é um voto de desconfiança no sistema oficial.

E votos de desconfiança acumulados têm sempre uma razão.


Porque é que acontece

O Excel paralelo nasce quase sempre de um destes problemas:

  1. o sistema não faz o que a operação precisa
  2. o sistema faz, mas ninguém sabe usar
  3. o sistema faz, mas os dados lá dentro não são fiáveis
  4. é mais rápido “desenrascar” do que corrigir o processo

Repara: nenhum destes problemas é do Excel.

O Excel é o sintoma.


O custo real

Cada folha paralela cria:

  • duas versões da verdade
  • trabalho duplicado de introdução de dados
  • erros de cópia que ninguém deteta
  • conhecimento crítico fechado num ficheiro pessoal
  • informação de gestão construída à mão, todos os meses

E o pior: decisões tomadas sobre números que ninguém consegue auditar.


O que fazer

A resposta errada: proibir o Excel.

A resposta certa: tratar cada folha paralela como informação.

👉 cada Excel paralelo aponta para um processo ou sistema que falhou.

Pergunta a quem o usa: “o que é que esta folha te dá que o sistema não dá?”

A resposta é o teu plano de trabalho.


Conclusão

Não há vergonha em ter Excel na empresa.

Há risco em não saber quantos, onde, e porquê.

O objetivo não é eliminar folhas de cálculo.

É garantir que existe uma única versão da verdade — e que está no sistema, não na pasta pessoal de alguém.